Como devem ser tratados os períodos de manutenção relacionados a ferramentas e luvas isolantes

2 de outubro de 2018 - 18 minutes read

O engenheiro da SENIOR Engenharia José Borel escreveu um guia para a periodicidade dos testes em ferramentas e EPI’s como a luva para eletricista em atendimento à norma NR 10.

Confira abaixo:

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Este texto se destina tão somente a uma contribuição à segurança pessoal nas instalações elétricas, com relação às exigências para os ensaios e testes periódicos a serem efetuados em ferramentas isoladas nos trabalhos elétricos em Baixa Tensão e em luva isolante de borracha para trabalhos elétricos em alta tensão. São consideradas as pesquisas efetuadas a consultas às Normas Técnicas Oficiais, à Norma Regulamentadora NR 10, Portarias do INMETRO e recomendações de fabricantes, além das exigências de algumas Concessionárias de Energia Elétrica.

PERIODICIDADE D OS TESTES EM FERRAMENTAS E EPI’s

1 – CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Em trabalhos na presença da eletricidade, a preocupação de todos deve estar voltada para a segurança pessoal, a qual deve ser mantida de forma permanente. Na aquisição de EPC’s e EPI’s novos, os mesmos são fornecidos devidamente testados e certificados, ou seja, na certeza de que eles se encontrem em perfeitas condições de utilização para atendimento à garantia e segurança desejadas. Porém, com o passar do tempo, o natural desgaste, seu uso correto ou incorreto, a falta de manutenção ou sem os cuidados necessários, é possível que tais materiais não mais se prestem para atendimento ao seu desempenho. Como se pode ter a certeza que eles ainda garantem a proteção para as quais foram fabricados e testados?

Algumas empresas incluem em seus procedimentos os testes nas ferramentas e equipamentos novos, porém muitas delas sequer impõem nos mesmos os indispensáveis requisitos garantidores da segurança pessoal quando da sua utilização. Como pode ser observado adiante, a NR 10 recomenda que tais dispositivos devam ser submetidos a testes elétricos ou ensaios de laboratório periódicos, obedecendo-se as especificações do fabricante, os procedimentos da empresa e na ausência desses, anualmente.

O que se propõe aqui, nada mais é do que uma contribuição para que todos os envolvidos na segurança pessoal das instalações elétricas se orientem na elaboração de seus procedimentos internos pelas exigências normativas e no atendimento às recomendações dos fabricantes.

O que diz a Norma NR 10:

10.2.4 alínea “e”: Os estabelecimentos com carga instalada superior a 75kW devem constituir e manter o Prontuário de Instalações Elétricas, contento, além do disposto no subitem 10.2.3, no mínimo, os resultados dos testes de isolação elétrica realizados em equipamentos de proteção individual e coletiva;

10.4.3.1: Os equipamentos, dispositivos e ferramentas que possuam isolamento elétrico devem estar adequados às tensões envolvidas, e serem inspecionados e testados de acordo com as regulamentações existentes ou recomendações dos fabricantes;

10.7.8: Os equipamentos, ferramentas e dispositivos isolantes ou equipados com materiais isolantes, destinados ao trabalho em alta tensão, devem ser submetidos a testes elétricos ou ensaios de laboratório periódicos, obedecendo-se as especificações do fabricante, os procedimentos da empresa e na ausência desses, anualmente.

Nestes testes devem, portanto, ser consideradas:

A qualidade: Estes testes devem ser realizados dentro dos padrões do Sistema da Qualidade, conforme a Norma ABNT NBR – ISO/IEC 17025 – Norma de Competência para Laboratório de Ensaio e Calibração. Todos os instrumentos utilizados para a realização dos testes devem ser calibrados e certificados e as empresas que realizam o teste, da mesma forma, devem também estar certificadas.

A periodicidade: Conforme acima mencionado, obedece às especificações do fabricante, os procedimentos da empresa e na ausência desses, anualmente;

A rastreabilidade: Todos os equipamentos/materiais submetidos aos ensaios recebem uma etiqueta de rastreabilidade. A rastreabilidade se faz através da etiqueta fixada no equipamento/material que é vinculada ao número do relatório, sendo que estes ensaios se referem tão somente aos itens constantes do relatório;

Os tipos de ensaios: Os ensaios devem ser realizados de acordo com o equipamento e em atendimento às Normas Nacionais e, na ausência destas, das Normas Internacionais aplicáveis.

2 – NORMATIZAÇÃO APLICÁVEL

Norma ABNT ISO/IEC 17025:2017 – Requisitos Gerais para Competência de Laboratórios de Ensaio e Calibração

Norma ABNT NBR 16295:2014 – Luvas Isolantes de Borracha

Norma IEC 60903:2002 – Gloves of Insulating Material

Norma EN 60903:2003 – Live working. Gloves of Insulating Materials

Norma ASTM D 120-14a. – Standard Specification for Rubber Insulating Gloves

Norma ABNT NBR 9699:2015 – Ferramentas Manuais – Isolação Elétrica até 1000 Vca e 1500 Vcc

Normas IEC 60900 / EN 60900 – Hand tools for use up to 1000 Vac and 1500 Vdc

Portaria n° 229, de 17.08.2009 do INMETRO

Portaria n° 140, de 21.03.2011 do INMETRO

Portaria n° 3.214, de 08.06.1978 do Ministério do Trabalho e Emprego

NR 10 – Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade

NR 6 – Equipamentos de Proteção Individual – EPI

3 – EXIGÊNCIA DE TESTES PERIÓDICOS EM FERRAMENTAS MANUAIS ISOLANTES DESTINADAS A TRABALHOS EM BAIXA TENSÃO (ATÉ 1000 Vca OU 1500 Vcc NOS TERMOS DA NR 10)

Quando as Normas Técnicas Oficiais não registrarem referências quanto à periodicidade para que sejam efetuados testes em ferramentas isolantes destinadas aos trabalhos em contato com partes energizadas em Baixa Tensão, é prudente que nos procedimentos da empresa sejam seguidas as recomendações dos fabricantes. Daí, e com foco na segurança pessoal, é fundamental que somente sejam adquiridos materiais de fabricantes de reconhecida procedência, que produzam ferramentas isoladas em atendimento às Normas Técnicas confiáveis, a exemplo das Normas ABNT NBR 9699:2015 e IEC / EN-60900.

3.1 – Recomendações da fabricante GEDORE

  1. Executar ensaios máximo a cada 12 meses;
  2. Sempre executar inspeção visual na ferramenta antes do uso, com o objetivo de detectar quebra/rompimento da camada isolada.

3.2 – Recomendações da fabricante TRAMONTINA

  1. Inspecionar visualmente 100% das ferramentas antes de cada utilização, com o objetivo de averiguar o isolamento dentro dos seguintes quesitos:
    • Integridade do isolamento (verificação de trincas, perfurações, etc.).
    • Aderência do isolamento ao material metálico (averiguação de deslocamentos do material isolante).
    • Rigidez das aletas / abas laterais (quando aplicável).
    • Legibilidade das marcações referentes a norma.
    • Descartar as ferramentas que apresentem qualquer deficiência nos quesitos mencionados acima.
  2. Recertificar as ferramentas isoladas conforme procedimentos internos da empresa, ou na falta deles, anualmente, conforme orientações da NR10, item 10.7.8.

4 – EXIGÊNCIA DE TESTES PERIÓDICOS EM LUVAS ISOLANTES DE BORRACHA PARA USO EM TRABALHOS ELÉTRICOS EM ALTA TENSÃO (A PARTIR DE 1000 Vca OU 1500 Vcc NOS TERMOS DA NR 10)

4.1 – Recomendações da Norma EN 60903:2003

“Os retestes periódicos devem ser realizados de acordo com os requisitos da norma EN 60903: 2003. Para as luvas de classe 00 e classe 0, uma verificação de vazamentos de ar e uma inspeção visual podem ser consideradas adequadas para detectar rachaduras e danos. Entretanto, um teste dielétrico de rotina deve ser realizado nas luvas das classes 1, 2 e 3. Recomenda-se que as luvas que sejam usadas intensivamente sejam testadas no prazo de 90 (noventa) dias”.

Ressalte-se que as classes das luvas isolantes definem os parâmetros técnicos a elas aplicáveis, a exemplo da sua tensão de ensaio e tensão máxima de uso (Volts).

4.2 – Recomendações da COPEL

Segundo o Manual de Instruções Técnicas da COPEL, Doc. n° 161703 – “Procedimentos de Ensaios de Ferramentas e Equipamentos LV”, em seu item 7.5,

“…a periodicidade recomendada de ensaio em luvas é de seis meses para luvas em uso, podendo ser reduzida dependendo das características de trabalho, tipo de utilização ou outro motivo que possa implicar em deterioração anormal. A luva deve ser sempre ensaiada antes de colocada em uso e os valores da corrente de fuga registrados como dados iniciais importantes para futuras avaliações”.

4.3 – Recomendações da CHESF

Segundo a “Especificação Técnica de Luvas de Segurança”, em seu item 5.h.III, as recomendações com relação ao ensaio das luvas isolantes de borracha são as seguintes:

“as luvas de borracha isolante só serão aceitas na aquisição com data de fabricação máxima de 8 meses e ensaios elétricos, realizados pelo fornecedor, até 60 dias antes da emissão da nota fiscal, com a devida comprovação desses ensaios, atendendo as Normas Brasileiras e/ou internacionais para esse fim. A informação da data desses testes deve constar em todas as luvas isolantes adquiridas, de forma indelével, a partir da qual se considerará o período para se iniciar um novo ensaio de tensão, conforme item 10.7.8 da NR-10, do Ministério do Trabalho e Emprego – MTE. A constatação da realização desses ensaios elétricos nas luvas, bem como da data de fabricação máxima exigida, será feita pela divisão de qualidade de material, responsável pelas inspeções”.

4.4 – Recomendações de alguns fabricantes

a. ORION S.A. TECNOLOGIA EM BORRACHA:

Segundo o documento “Validade e Garantia das Luvas Isolantes ORION”, as recomendações com relação ao ensaio das luvas isolantes de borracha são as seguintes:

Validade dos testes

“As Normas que se aplicam especificamente para Luvas Isolantes são: ASTM D 120 (Norma Norte Americana) e ABNT NBR 16295 (Norma Brasileira). Porém estas Normas não definem um prazo para o reteste das luvas, portanto nós da Orion seguimos a NR 10 que é destinada para Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade em geral, o item da Norma que se aplica para luvas isolantes é o 10.7.8”.

Recomendação Orion

“O intervalo máximo entre inspeções das luvas não deve exceder o período de seis meses para luvas utilizadas em contato direto em circuitos energizados, e doze meses para luvas não distribuídas ou utilizadas em contatos indiretos. Dependendo das práticas de trabalho e intensidade de atividades a que estão sendo submetidas as luvas, os intervalos podem ser inferiores”.

b. FULLFSAFE:

“Inspeção periódica: as luvas isolantes elétricas de borracha devem ser submetidas a testes elétricos ou ensaios de laboratórios periódicos, obedecendo-se às especificações do fabricante.”

c. DUTRA BORRACHA:

“Inspeção periódica: submeter a ensaios periódicos de laboratório, obedecendo-se as especificações do fabricante e, na ausência destas, anualmente”.

d. PROTS – INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ARTEFATOS DE BORRACHA LTDA:

“conforme o item 10.7.8 da NR 10, os equipamentos, ferramentas isolantes ou equipados com materiais isolantes, destinados a trabalho em alta tensão devem ser submetidos a testes elétricos ou ensaios de laboratório periódicos, obedecendo-se as especificações do fabricante e/ou os procedimentos da empresa e na ausência desses, anualmente. Recomenda-se realizar o teste nas luvas de borracha isolantes a cada 6 (seis) meses para luvas em uso, e 1 ano para luvas fora de uso”.

5 – RESUMO CONCLUSIVO

5.1 – Relativamente às exigências de testes periódicos em ferramentas manuais isolantes para trabalhos em Baixa Tensão (até 1000 Vca ou 15000 Vcc nos termos da NR 10):

As boas práticas com relação aos testes periódicos nas ferramentas manuais destinadas a trabalhos que envolvam o contato com partes energizadas em baixa tensão recomendam que a empresa:

  1. mantenha seus procedimentos de segurança atualizados e compatíveis com os riscos inerentes a cada tarefa a ser desenvolvida;
  2. atenda aos requisitos normativos e, na falta dos mesmos, às especificações do fabricante;
  3. efetue previamente a cada utilização da ferramenta uma inspeção visual de rotina, conforme mencionado no item 3.2.a acima;
  4. efetue anualmente em cada conjunto de ferramentas de mesmas características (a serem escolhidas por amostragem) os ensaios de impacto, resistência dielétrica, aderência da isolação, inflamabilidade e de isolação elétrica.

5.2 – Relativamente às exigências de testes periódicos testes em luvas isolantes de borracha para uso em trabalhos elétricos

Com base na Norma Regulamentadora NR 10, que manifesta textualmente em seu item 10.7.8 as seguintes recomendações:

“os equipamentos, ferramentas e dispositivos isolantes ou equipados com materiais isolantes, destinados ao trabalho em alta tensão, devem ser submetidos a testes elétricos ou ensaios de laboratório periódicos, obedecendo-se as especificações do fabricante, os procedimentos da empresa e na ausência desses anualmente.”

As boas práticas recomendam que sejam realizados testes periódicos nas luvas isolantes de borracha a cada 6 (seis) meses para luvas em uso, e 1 ano para luvas fora de uso”.

5.3 – Considerações adicionais

  1. Obedecer rigorosamente às recomendações da Normas Oficiais e das Normas Regulamentadoras – NR’s (e na ausência destas, as Normas Oficiais Internacionais, onde aplicáveis);
  2. Promover o descarte das ferramentas manuais que apresentarem qualquer deficiência por ocasião de suas inspeções de rotina;
  3. Antes do uso das luvas, recomenda-se promover uma inspeção visual nas mesmas em suas partes interna e externa;
  4. Promover o descarte das luvas quando as mesmas se apresentarem com cortes, furos, queimaduras, inchamentos, materiais incrustados, desgaste ou contaminação, pregas, marcas de aperto, cavidades (ou ar retido), ondulações proeminentes ou marcas moldadas proeminentes;
  5. Caso, durante a sua utilização, as luvas tenham contato com produtos químicos (óleos, gasolina, solventes etc.), limpá-las imediatamente com uma solução de sabão neutro e enxaguá-las bem com água.

 

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